Contrato de mulher

Segunda-feira, 18 Agosto , 2008

Que fique claro que eu não te amo
que fique claro que eu não te quero
que fique claro que entre nós dois
nada existiu, mas que no escuro
eu te desejo, te venero

Que você entenda que eu faço o que eu quero
que você perceba que eu mando e desmando
que você se coloque no seu lugar
que você saiba que sou eu quem determina
quando, como e aonde eu te encontro
mas que não me oponho a todo dia te ver

Que você não se meta a querer ser o que eu sou
que você não se iluda pensando que chegará onde eu estou
que você não se engane pensando que me amando eu vou te retribuir
mas que se sinta um pouco importante porque na hora marcada estarei aqui

Que você aceite que entre nós dois há uma hierarquia
que entre nós dois só há alegria quando eu proponho
que você não suponha que só porque passo uns minutos com você
isso venha a ser grande coisa, porque não é, e jamais será
mas que nos poucos minutos que passamos juntos, te faço minha mulher

E que tenha em mente que você
tem que fazer o que eu quiser
porque quem ditas as regras sou eu
sou eu quem decide as indas e vindas
e determina hora, dia e lugar
pra você estar comigo


Por um deslize

Domingo, 17 Agosto , 2008

Você não quis me escutar
quando eu ainda tinha tanto pra falar
você não deixou eu mencionar
que apesar de todos os erros
eu te amo

Você não deixou que eu te dissesse
que pra ter seu amor de volta
todos os dias faço sentida prece
com pedidos de perdão
pelos tropeços do coração

E por uma noite errada
esquecemos de tantas madrugadas
que nos amamos e nos queríamos
por longa data

E no desespero de te querer de volta
faço cartas que sempre ficam sem resposta
pelas feridas que abri

Você faz questão de rasgar tudo sem ler
como forma de punição por tudo que te fiz sofrer
e tem razão em não mais me querer receber
na sua vida

Você tem razão em desejar me machucar
afinal foi assim que agi
mas a pior das dores não é ser ignorado
e sim ver todos os nossos sonhos arrasados
por uma bobagem sem fim

E por uma noite errada
esquecemos de tantas madrugadas
que nos amamos e nos queríamos
por longa data

Fica assim nossa vida sonhada
totalmente conturbada
por um erro

Todas as previsões arruinadas
por apenas uma noite de prazer
que hoje já posso dizer
não valeu a pena
trair meu bem-querer


Chega de brincar

Quarta-feira, 13 Agosto , 2008

Você abusou da minha paciência
há em mim certa resistência
à revolta mas você abusou
e não posso mais fingir
que quero te deixar sem resposta

Eu não quero mais que você diga
e omita, minta fingindo gostar de mim

Não, o mundo não é assim
eu quero que pare de me seduzir
e correr quando eu vou te amar

Eu quero que pare de dizer pra suas amigas
que eu sou um homem indeciso, você sabe
sabe mais do que ninguém que não é nada disso

Eu quero que pare de brincar comigo
se me ama venha logo ter comigo
uma conversa franca para acertar os pontos
porque eu não sou tonto de participar
do seu joguinho só pra você me desprezar


A mulher que passa

Terça-feira, 12 Agosto , 2008

Quando você passa
a graça é te olhar
seu molejo, seu andar

Quando você passa
e deixa aquele cheiro
não tem outro jeito
senão te paquerar

Porque me seguro
e me controlo
pra não te agarrar

Quando você passa
não tenho outro lugar pra observar
só vejo suas curvas, seu jeito de seduzir

Sua piscada maldosa
faz meu corpo vibrar
e nesse transe fico sem resposta
pra te dar

Mas enquanto você some no horizonte
cada segundo valorizo
indiscretamente me entrego ao vício
de te examinar

O seu colo volumoso
seu jeito provocante
andar firme
em cima do salto afirma
que eu não posso te alcançar

E enquanto você passa
só me resta assobiar

Quem sabe você volta
e na pequena agressão
pela sua revolta
eu possa sentir
a delicadeza da sua pele
que eu queria encostar


Morena

Sexta-Feira, 8 Agosto , 2008

Encarei-a nos olhos
sentindo a respiração
dela me esquentar
ela manteve os olhos
em mim sem hesitar

Afaguei seus cabelos
despenteando o que ela
deve ter levado
tempo exagerado
pra controlar

Deslizei minhas mãos
pelo seu rosto moreno
sentindo a maciez
da sua pele,
ficou rubra

Aproximei meus lábios
dos seus secos
(foi o único momento
que percebi seu nervosismo)

Invadi sua boca
de imediato sem dar
chance pra recusar

Ousei mais um pouco
indo ao ponto alto
do desconhecido invadido

Quando a respiração dela
acelerou tive certeza
de poder abusar

Ligeiramente tomei seu corpo
pra mais perto, sua cintura aperto
vejo seus olhos entreabertos

Caminho pelo seu corpo volumoso
Dádiva divina sendo sujo
pelas mãos cheias de desejo

No enrolar de nossas línguas
ela deu sinal para novo jogo
que tenho nojo de detalhar agora


Pequena derrota

Quarta-feira, 6 Agosto , 2008

Lá fora a chuva cai, a noite vai e eu aqui
lá fora o vento sopra, o soluço me sufoca
a respiração acelera e não há espera
as lágrimas rolam sem cessar

Da janela vejo que um céu sombrio
nesse dia frio, nada no lugar
meu coração partido sofre calado
acho prudente que o pranto
desarme o encanto de amar a pessoa errada

Sento no sofá deixando pelo chão
as marcas da solidão que há pouco
veio me visitar

Não posso abater-me
mas não é justo sorrir
ao sofrer, como não se pode
impedir o dia de amanhecer

Interrogo ao espelho
o que eu deveria ter feito
para que ele não partisse
e dilacerasse meu coração

O choro incontrolável
carregado de emoção
e ódio pelo desprezo
não me deixou dormir

Mas sei que de tudo
o que me resta
ainda há uma réstia
de amor pra dar

para um novo amor
pois tenho certeza
que isso não me faltará


Desejo ilícito

Domingo, 3 Agosto , 2008

Acordei com a cabeça doendo, pesada, em chamas. Olhos embaçados. Passei a mão no rosto. Suava. Senti um cheiro não muito agradável. A primeira coisa que vi foi o relógio em cima do criado mudo. Não passava das sete. Tentei levantar, mas fiquei tonto. Tentei conciliar o sono novamente, mas acho que a bebida de ontem não quis me conceder esse descanso. Fiz um enorme esforço pra levantar. Primeiro senti meus olhos lacrimejarem, a visão fora de foco, nariz ardendo, boca seca e quente. Senti meu corpo leve, relaxado, os músculos pareciam não obedecer de imediato as minhas ordens. Levantei as cobertas. Constatei a nudez, a flacidez do membro. Olhei para o lado e não vi ninguém. Fui até o pequeno banheiro ao lado do grande quarto.

Lavei o rosto, fiz a barba, me encarei no espelho. Olhos vermelhos, em chamas. O nariz parecia querer sangrar. Boca pálida por falta de umidade, mas quente, com o ar pesado e o cheiro de um coquetel de bebidas. Fleches de memória. Escovei os dentes, voltei ao quarto, mais uma vez nu debaixo dos lençóis.

Outro fleche. Na minha frente uma bandeja de alumínio com duas taças. Uma estava em pé, outra com a parte maior encostada no vidro. Fleches de luz. Morena, olhos fundos e negros como a minha carência. Magra, abatida, quase sem vontade própria. Algo que não me recordo e outro fleche. Minha respiração ofegante. Sussurros. Gemidos de dor e prazer. Braços fortes dominando os dela como correntes em um assassino. Algumas palavras que não me recordo o teor causavam nela mais pânico. Lembro de algum tempo antes disso, tê-la visto bem arrumada em panos fáceis de serem tirados com apenas um puxão. Brindávamos e bebíamos e nos beijávamos. Algo que não me lembro. Estava em cima dela com os músculos enrijecidos, todos os músculos. Ia e vinha em cima dela. Parecia uma dança ritmada. Suspiros e líquido nos lençóis. Mais bebida e a sonolência. Beijos ardentes foi nosso adeus. Apaguei.

Peguei minhas roupas. Vesti-me e saí. Desci as escadas, paguei a diária. Jurei nunca mais pôr os pés num lugar como aquele. Cometi um pecado… Não foi carência, sei disso… Desejo de algo novo…


Marcas do tempo

Sábado, 2 Agosto , 2008

Não adianta dizer
o que tem dito
o tempo não sei
se maldito
já nos separou

Não adianta
fechar os olhos
voltar no tempo
com as lágrimas
nosso mundo se perdeu

Esqueça os nossos dias
a nossa sede tardia
que em meados de 60
se suspendeu
nos meus e no seu
beijo que ardeu

Foram marcas de um passado
de um amor por anos calado
que floresceu e murchou
que a chama acedeu e apagou
e apenas a lembrança marcou


A dispensa

Segunda-feira, 28 Julho , 2008

O que será preciso
para fazer você entender
que eu não te quero

De quantos “nãos” você precisa
pra entender que mudei,
que esqueci de você

Não percebe que sua
insistência, além de incômoda,
não vai levar a nada

Só tenho um recado
você não me perdeu,
não tem motivo
para amargura,
o que mudou foi
o meu jeito de pensar
e a possibilidade de achar
algo melhor que você


Dois

Sexta-Feira, 25 Julho , 2008

Olha, hoje não quero ser um fardo pra você
eu sei o que você vai dizer, não é isso que sou
mas eu não posso mais te enganar

Eu não sei mais como viver gostando de dois
até agora deu pra segurar, mas já chega,
não é correto assim amar

Mas, e então
sou ele ou eu

E o quê eu faço
se não posso te obrigar
E como eu vivo sendo
por tanto tempo enganado,
já acostumado com o seu carinho

Mas a confusão está feita
vê se aceita e me perdoa
vê se não sofre assim à toa
e aceita o fato que meu coração
já não é mais seu há muito tempo

É, eu sei, tinha percebido
que aquele tal de amigo
te olhava meio esquisito
na primeira vez que o vi

É, parece que sim,
não é só por mim
que pretendo terminar
é que acho errado
te enganar tanto,
tanto tempo assim

Mas será que não dá
pra reconsiderar…
Pense em tudo
que a gente viveu…

E então,
sou ele ou eu?

Não me confunda mais
não me torture
eu já não saí impune
por te deixar

Pode ter certeza
que metade do meu coração
foi seu, mas é doloroso
dividi-lo pela metade

E antes que eu desmaie de dor
deixe que eu sinta o calor de um só
porque é frio demais da minha parte
ter dois sofrendo por mim
pois um sempre me cobrará
que o ame completamente